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jan 22

Por Mailson Ramos*

Já não se pode definir o que é jornalismo ou o que é publicidade nos telejornais da Rede Globo. Em especial no Jornal Nacional, onde o desejo de exibir os eventos de autopromoção parece ter atingido desde a direção até os apresentadores. Na segunda-feira (5/12), um bloco do telejornal que se transformou em unanimidade no pós-jantar da família brasileira, foi reservado para exibir a troca de apresentadoras: sai Fátima, chega Patrícia. Para quem se admira com o estrelismo do jornalismo global, é um prato cheio. Enquanto eventos importantes acontecem pelo mundo afora, preocupamo-nos com a substituição de apresentadoras de um telejornal, como se isto alterasse o padrão de qualidade das notícias veiculadas. O que muda mesmo é somente e tão somente um rosto. É interessante notar que a promoção do novo (e secreto) programa da Fátima Bernardes tornou-se mais importante do que a chegada da Patrícia.

Nesta autopromoção feroz, a Globo faz questão de exibir os prêmios conquistados pelo seu jornalismo. Um dia destes, o apresentador e editor-chefe do JN, William Bonner, esteve em Nova York para receber um prêmio. O evento foi tão alardeado pelos próprios apresentadores que transformaram as notícias e informações daquela edição em simples cabides para sustentação dum egocentrismo publicável. O telespectador não precisa assistir a este espetáculo. Isto não o interessa. Quando o jornal é bom, as premiações podem até fazê-lo acreditar que ele é muito mais do que isso. Porém, esta aparente satisfação causada pelos troféus deve permanecer dentro da redação e não ser exposta ao telespectador como se quisessem dizer: “Olha, fulano, conquistamos este prêmio porque você assiste nosso jornal. Quer dizer, este prêmio também é seu.” É, no mínimo, ridículo.

Interesses velados

Agora os astros e estrelas globais se envolveram numa campanha publicitária via web tentando adquirir assinaturas para barrar a construção da usina de Belo Monte. São atores de grande representatividade junto ao público maciço da emissora. Até então, discutíamos na faculdade o envolvimento da Rede Globo nesta campanha. Passadas algumas semanas desde então, aparece a chamada para o Globo Repórter falando dos prejuízos que a construção causará à floresta e aos habitantes aquele lugar. Dois dias antes da exibição do programa, a revista Veja lançou a edição “Nocaute nas Estrelas”, evidenciando um vídeo resposta dos estudantes da UnB, contrariando e com fatos comprovados, as afirmações dos atores globais na campanha. No vídeo Gota d’água, os atores falaram aquilo que algum leigo no assunto escreveu. Todas as respostas dos estudantes às “asneiras” ditas pelos autores são convincentes e chamaram a atenção do público, principalmente o universitário.

Este assunto não é interessante pela ótica da publicidade, mas pelo jornalismo que mais uma vez cede a interesses velados. O que incomoda é o segredo, os desejos escusos de uma emissora que parece opor-se à construção duma hidrelétrica que será vital para o futuro do país. Mas a troco de quê a Globo estaria envolvida neste assunto? Só o mais ingênuo brasileiro acreditaria nesta história de defensores da ecologia. Enquanto poucas pessoas tentam descobrir o real interesse da emissora que utiliza seu jornalismo como ferramenta de mobilização social e midiática, continuo aqui sempre com um pé atrás. Nem tudo que reluz (na tela) é ouro.

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*[Mailson Ramos é graduando em Relações Públicas, Salvador, BA]

Texto publicado no Observatório da Imprensa: http://www.observatoriodaimprensa.com.br/news/view/_ed673_jornalismo_ou_publicidade


nov 09

Texto: Ricardo Voltolini

Já se vão lá 25 anos e a advertência do meu primeiro empregador ainda ecoa nítida na minha memória: “Você é competente, bem formado e criativo. Mas muito idealista. Para ter sucesso na empresa terá de deixar os seus valores do lado de fora.”

À época, entendi a frase como uma ameaça. E, provavelmente, era essa mesmo a intenção do homem: que eu simplesmente aceitasse as regras do jogo, sem ideias dissociadas do negócio, já que não havia espaço na empresa – e isso ele fez questão de deixar claro – para tratar, por exemplo, de responsabilidades sociais, um tema com o qual já namorava, ainda que desinformada e timidamente.

Não “havia”, vale enfatizar o verbo no passado. Os tempos são outros. A realidade mudou. O mesmo garoto que foi censurado por seus arroubos idealistas – sim, o mesmo, apesar dos cabelos grisalhos – hoje tem sido contratado por empresas para falar às jovens lideranças que seus valores pessoais e suas convicções éticas são muito bem-vindos nas organizações. Mais do que isso, são fundamentais nesses tempos em que as empresas se esforçam para ser mais sustentáveis, mudando processos, práticas e estratégias na direção de buscar intersecções entre os interesses do lucro e os interesses do planeta e da sociedade.

Quando debatida na empresa, a noção de sustentabilidade é, sobretudo, um processo – arrisco dizer – de reumanização dos negócios, de reflexão sobre limites éticos, de autoanálise dos dilemas de um sistema com falhas já reconhecidas, que gera riqueza, mas esgota recursos naturais e produz mudanças climáticas e desigualdade social. Ótima oportunidade para quem tem crenças firmes e pauta sua vida por elas.

Se você, jovem profissional, já fez ou faz algum tipo de trabalho voluntário, exercitando solidariedade, altruísmo e interesse pelo outro, esteja certo de que isso será visto, cada vez mais, como uma competência desejável e valorizada nas empresas. Conta pontos.
Se você se indigna com toda e qualquer forma de desperdício – de tempo, energia, água e outros recursos naturais – e gosta de fazer mais com menos, por convicção, festeje. Chegou o seu tempo.

Se você compreende que a atividade empresarial gera impactos socioeconômicos positivos e negativos e que é seu dever reduzir ou eliminar os segundos, está pensando exatamente como as melhores empresas e as líderes.

Se você respeita a diversidade por princípio, convive bem com a divergência de opiniões, sabe ouvir, evita julgamentos baseados em preconceitos, pratica virtudes aristotélicas como a verdade e considera a transparência um valor importante, então possui diferenciais de comportamento crescentemente bem-vindos.

Nunca é demais lembrar: formação acadêmica é e sempre será fundamental, até porque – como já disse a sabedoria popular – sem competência não se estabelece. Mas os valores que formam o seu caráter, a sua atitude, o seu propósito, a maneira como encontra significado em seu trabalho também são. Saber ser é, portanto, tão importante quanto saber fazer.

Entendo aqueles que, a esta altura do texto, com base em suas experiências pessoais, estejam enxergando excesso de otimismo ou ingenuidade na visão do articulista. Mas o que digo se baseia em conversas com os mais importantes líderes empresariais do país. Se você trabalha numa empresa que não valoriza os seus valores – pior até, que não tem valores conhecidos de todo o quadro de funcionários – está na hora de procurar um lugar de mais futuro.

Sustentabilidade

Onde trabalhar

Há diferentes postos de trabalho relacionados à sustentabilidade. Muitas empresas de grande porte têm departamentos ou áreas de sustentabilidade, com uma estrutura que inclui de gerência a analistas e estagiários. O nome pode variar entre Responsabilidade Social, Responsabilidade Socioambiental ou Sustentabilidade. Às vezes, apenas Gestão Ambiental. E as funções também, dependendo da atividade da empresa—na indústria, por exemplo, a ênfase recai sobre os aspectos da gestão de processos. Mas essas áreas se incumbem quase sempre de gerir ações de relacionamento com a comunidade, monitoramento de ecoeficiência, análise de ciclo de vida de produtos, educação ambiental, economia de recursos como água, energia e papel, programas de resíduos, elaboração de relatórios e iniciativas para reduzir impactos socioambientais na cadeia produtiva.

Muitas médias empresas também começam a contratar profissionais para cuidar de questões específicas ligadas à gestão ambiental. Por exemplo: no ano passado foi criada a Política Nacional de Resíduos Sólidos que vai obrigar as empresas a assumir responsabilidades em relação à destinação do lixo produzido ao final do uso de seus produtos. Há empresas em que sustentabilidade subiu degraus na estrutura, chegando ao nível de diretoria estratégica e até vice-presidência. Nelas, costuma-se contratar profissionais de diferentes formações, como Engenharia, Administração de Empresas, Biologia, Comunicação e Marketing.

Até as empresas pequenas estão se envolvendo com o tema, especialmente as que fazem parte da cadeia de valor de grandes empresas. Órgãos públicos, institutos e fundações também estão contratando pessoas para trabalhar com temas socioambientais.

Qual a formação

Não existe uma regra. Há profissionais de diferentes formações atuando em sustentabilidade nas empresas até porque o conceito, por ser transdisciplinar, se tornou transversal nos negócios. Nas cidades e nos campos. Se você é engenheiro ou arquiteto, há cada vez mais alternativas na área da construção sustentável. Os engenheiros mecânicos, eletrônicos, agrônomos e de produção vêm sendo convocados para repensar processos e sistemas e para desenvolver tecnologias menos impactantes ao planeta. Biólogos têm sido chamados para cuidar da conservação e preservação de ecossistemas. Administradores de empresa estão envolvidos na implantação de códigos de conduta e na gestão de cadeias de fornecedores, para assegurar a conformidade destes em relação aos princípios e valores de sustentabilidade da empresa. Sociólogos e antropólogos participam de processos de escuta ativa das comunidades impactadas pela ação da empresa.

O que não falta é trabalho. Observando as empresas, é possível verificar a existência de profissionais formados nas ciências humanas, biológicas e exatas. Uma pós-graduação mais específica, em gestão ambiental ou sustentabilidade, é fundamental na medida em que oferece uma noção mais ampla de conceitos e abordagens praticados no mundo empresarial.

Onde estudar

Com a ascensão do tema sustentabilidade, a maioria das universidades e faculdades brasileiras já considera os conteúdos específicos nos programas de graduação. São muitas também as ofertas de pós-graduação, com programas que combinam conhecimentos técnicos e de gestão. Escolha o que fizer mais sentido em relação aos seus objetivos profissionais. Há ofertas interessantes na Fundação Dom Cabral, Fundação Getúlio Vargas, FIA, Unicamp e Senac-SP, para ficar em alguns exemplos. Pesquise as alternativas em escolas de sua região, avalie os currículos (devem estar sintonizados com atuais discussões do mercado) e os professores (precisam ter experiência comprovada na área), cheque o retorno com quem já fez o curso e selecione o programa que vai lhe trazer os conhecimentos de que necessita para trabalhar agora com o tema numa empresa, no governo ou numa organização sem fins lucrativos.

Ricardo Voltolini é diretor-presidente da Ideia Sustentável: Estratégia e Inteligência em Sustentabilidade (www.ideiasustentavel.com.br), idealizador da Plataforma Liderança Sustentável e autor do livro “Conversas com Líderes Sustentáveis” (editora SENAC-2011) Ideia Sustentável é uma consultoria que educa pessoas para a sustentabilidade e ajuda as empresas a inserirem sustentabilidade na cultura do negócio e a comunicar o valor para diferentes públicos de interesse.

out 11

Autor: Caio Lauer

O lato sensu é o tipo de pós-graduação mais praticada por profissionais e estudantes de todo o Brasil. Segundo último levantamento da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a maioria dos 330 mil estudantes de pós do país está em um curso lato sensu.

A explicação deste número pode estar na natureza deste tipo de curso. Ele permite cursá-lo enquanto o indivíduo prossegue na atividade profissional e tende a ter maior foco na aplicação prática dos conceitos, melhorando a atuação profissional. “Um curso de pós-graduação pode ser iniciado a qualquer momento da carreira. O ideal é que a pessoa tenha alguma experiência profissional, pois assim, poderá aproveitá-lo melhor, comparando aquilo que está estudando com a bagagem que possui. Existem cursos adequados para diversos momentos de carreira e níveis de conhecimento”, explica Tiago Sereza, gerente da Catho Educação.

As exigências das empresas para realizar contratações estão aumentando cada vez mais e a realização de cursos relacionados com o objetivo de carreira fortalece o currículo. Novos conhecimentos possibilitam repensar a forma como o trabalho é realizado, podendo trazer aumento de produtividade do profissional e da equipe na qual está inserido. De acordo com Sereza, é importante verificar se o conteúdo do curso está de acordo com a expectativa do profissional e qual seu público alvo. “Esta análise pode fazer uma grande diferença”, aponta.

Quando se decide fazer uma pós, o conteúdo programático deve ser bem analisado, comparando universidades e grades curriculares. É importante avaliar se existem disciplinas diferenciadas que vão agregar no desenvolvimento e na reciclagem profissional. Segundo Marcela Buttazzi, diretora da MB Coaching, todos nós precisamos buscar novos conhecimentos para continuarmos ativos no mercado e conquistarmos nossos espaços. “A pós-graduação não é mandatória, porém, deve ser escolhida corretamente para não haver perda de tempo e dinheiro. Escolher um curso errado pode fazer com que os concorrentes saiam na frente”, alerta.

Escolher o momento correto para cursar um lato sensu também é fundamental. O mercado está exigindo muito do profissional, mas é necessário ter o feeling de saber a ocasião correta para cursar uma pós. “Vejo que, de alguns anos para cá, as pessoas se formam na faculdade e, na sequência, já decidem realizar uma pós, mas não têm tanta certeza de que tipo de curso devem realizar. Em muitos casos, deve haver o amadurecimento da profissão antes de ingressar em um curso desta natureza, que exige uma vivência profissional”, opina a diretora.

Além do recurso financeiro, conciliar estudo e trabalho é um desafio. A pós é um investimento de, no mínimo, um ano, em uma área na qual o indivíduo opta por seguir carreira. Às vezes, pode não ser a escolha certa. “Recomendo aguardar um ou dois anos após o término da graduação para iniciar uma pós, pois é um tempo suficiente para se desenvolver profissionalmente e se autoconhecer”, diz Butazzi.

Diferenciais

A pós-graduação pode fazer a diferença em um processo seletivo. O recrutador, na hora de uma contratação, avalia a formação acadêmica em conjunto com uma série de outros fatores, como a experiência do profissional, suas realizações e características pessoais.

Uma prática cada vez mais vista no mercado são os cursos no exterior. As organizações valorizam questões como aprimoramento de uma segunda língua e amadurecimento pessoal. “Cursos de pós-graduação no exterior agregam no aspecto cultural e de vivência, fatores cada vez mais valorizados pelas empresas. No momento de uma disputa de vaga, o profissional que estudou em um país estrangeiro sai na frente”, indica Butazzi.

Já para o gerente da Catho Educação, o mais adequado é que esta pós-graduação no exterior possibilite uma boa preparação para o cargo pretendido. “Vale a pena pesquisar com atenção quais seriam as melhores instituições e quais os cursos que atendem a este propósito”, completa.


set 14

Trilhar a carreira com coerência e planejamento é o desejo de todo profissional. Ser bem sucedido deve passar pelos valores de cada indivíduo e desconfiar de alguns padrões e discursos prontos do mercado de trabalho e daquilo que aparentemente é algo bom para a vida, torna-se essencial para buscar sucesso e felicidade.

 

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Quando falamos do início de carreira é importante que o profissional busque se focar em atividades compatíveis as que tem prazer em fazer e que as vê fazendo durante muito tempo. O apoio familiar neste momento precisa existir, mas não deve ser fundamental. “Vemos que existe uma grande influência dos pais na tomada de decisão da carreira dos jovens, mas isso que não é o que se sustenta, muitas vezes, ao longo do tempo. É importante que este iniciante faça testes vocacionais e fale com profissionais das áreas em que pretende atuar a fim de confirmar se o que ele imagina é o que de fato acontece no mercado de trabalho”, explica Elisabete Oliveira, consultora da M&S, consultoria especializada em desenvolvimento humano. Ela indica ainda que o jovem faça estágios, realize trabalhe voluntários e pesquise a fundo sobre o segmento em que pretende atuar.

Praticamente todo profissional tem um momento em sua carreira que passa a se questionar se realmente faz o que gosta ou se seria mais feliz em outra empreitada. É comum passar por estas situações e a maior influência passa pelos valores do indivíduo. O autoconhecimento e a maturidade são fundamentais para encarar uma transição de sucesso e existem processos de coaching e uso de ferramentas que podem identificar características, potencias e competências para iniciar um novo planejamento eficiente. Segundo Alexandre Campos, executivo de RH e coach em carreiras, montar uma rede de trabalho, o chamado networking, é um ponto importante. “Tentar entender como o mercado está funcionando em determinado momento também é uma dica, pois a pessoa pode dar um passo mais assertivo em relação a um novo emprego ou oportunidade”, conta.

Um planejamento sólido é consequência do profissional ter as rédeas da carreira nas mãos. Quando analisamos uma trajetória profissional, temos que estar atentos a diversos pontos e aos diferentes papeis que vivemos – profissional, familiar, pessoal e emocional. Se almejamos um progresso na empresa em que atuamos, apenas contextualizando o lado da profissão, tudo se limita. “Cito como exemplo o período sabático, algo que não era bem visto até pouco tempo. Para tomar essa decisão de suspender a carreira por um tempo para ir atrás de um novo objetivo, estamos falando de alguém que possui maturidade profissional e sabe o que quer. As empresas deveriam valorizar mais as pessoas com esta atitude”, opina Elisabete.

Influência das organizações

As empresas têm um peso muito grande no norte da carreira de seus contratados. Uma organização que promove troca de aprendizado, liderança, e oferece um ambiente de trabalho saudável, passa valores positivos a seus funcionários. No caso oposto, uma organização que não valoriza o capital humano e não foca no desenvolvimento de seus colaboradores, serve como má referência e vai na contramão de pessoas que querem progredir. “As instituições têm diferentes formas de entender e organizar a carreira dos funcionários. No mercado há muitas variações, como planos de aceleração e a chamada ‘escadinha’, que segue determinado progresso regular dentro de algumas áreas”, relata Campos.

A falta de mão de obra qualificada faz com que as corporações acelerem o processo evolutivo do profissional de maneira precoce. Muitas vezes, o próprio funcionário ainda não se vê preparado para assumir determinado cargo, mas por uma questão de necessidade e oportunidade, aceita a proposta. “Nestes casos, a frustração de não atingir as expectativas e objetivos pode fazer com que haja um bloqueio por parte do profissional, deixando-o inseguro para novas empreitadas”, diz a consultora da M&S.

(Texto: Caio Lauer - Catho)