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jun 19

Tania Cordeiro

1- Por que a escolha pela vida acadêmica?
Quando concluí a graduação fui aprovada para o mestrado da UnB. Eu era inquieta e me perturbavam as questões que eu mesma me fazia e, assim, elas me impulsionaram para o campo acadêmico. Foi por aí que fui dar na minha praia: a academia.

2- E o Fórum Comunitário de Combate à Violência? Como é sua relação com esta instância? Como surgiu essa proposta/ idéia de atuação?
Aí entram alguns elementos convergentes. Sou professora de Comunicação Comunitária e isto me fez ver o quanto a Cidade de Salvador é ao mesmo tempo muito prezada e muito escondida. Chega a ser um lugar de fachada. Passei a observar ao lado da cidade dos cartões postais, da terra da felicidade, um lugar afeito ás ações da Codesal, das delegacias, das grandes filas nos serviços públicos de saúde etc. Naquele período estava entrando na moda a preocupação acadêmica com a VISIBILIDADE e eu me servi disto para pensar as dimensões invisíveis ou mesmo negadas de Salvador. E quando eu penso nessas coisas eu as comento, eu atuo sobre. Assim eu descobri muita gente com interesses convergentes e passei a fazer parte de um grupo criado para a realização de uma pesquisa da Organização Panamericana da Saúde e, assim, levamos a cabo, em Salvador, o estudo relativo às atitudes e normas dos residentes sobre violência.
Enquanto eu estava realizando esse trabalho que uniu esforços da UNEB, UFBA e OPAS entrei em contato com o Fórum Comunitário de Combate à Violência, no final de 1996. Naquele momento eu já estava bastante convencida de que a comunicação deveria se ocupar, seriamente, da questão da violência. A partir daí eu estou, enquanto representante da UNEB, nessa articulação de esforços, passei a contribuir, especialmente na área de comunicação, em várias vertentes desse universo.

3- Você desenvolve estudos e trabalhos sobre a juventude de Salvador. Por que essa temática (juventude e sociedade) chama sua atenção?
Os jovens são as maiores vítimas da violência em Salvador e em todo o Brasil. Para se ter uma idéia, o perfil da grande maioria dos mortos por violência é assim caracterizado: jovem, pobre, afro-descendente, com escolaridade e qualificação profissional precários, solteiro e morador de bairros populares. Tudo isso é razão suficiente para que os esforços sejam mais intensos em relação a esse segmento.

4- Como tem sido sua experiência como docente?
A primeira resposta que me vem à mente é muito positiva, assim, eu me precipito e digo que é muito boa e apaixonante. Mas eu não posso exibir todo esse bálsamo sem ponderações. É a própria condição de docente que me obriga a ser mais matizada nas respostas. Nada na vida é somente agradável. A UNEB é uma universidade que não dispõe de recursos compatíveis com as necessidades. Algumas delas elementares, a exemplo da carência de livros atualizados ou de espaço físico. Não obstante as dificuldades conseguimos construir coisas que eu aprecio como interessantes para a formação discente. Uma delas é certo senso de responsabilidade para com as questões públicas e sociais. Vejo muitos ex-alunos envolvidos nesse tipo de atuação. Esses resultados me fazem pensar numa dimensão de êxito não apenas meu, mas da nossa vida docente.
Devo dizer que, apesar das dificuldades, contrariedades e de algumas frustrações, eu gosto muito de ser professora e acho que quem me vê em sala de aula sabe disto, apesar de todas (não são poucas) as exigências que faço.

5- Quais as sua paixões?
Boa parte delas vejo de olhos fechados, talvez é quando os tenho mais esbugalhados. Eu ganho o meu tempo vendo uma criança resolvendo uma questão de adulto: é cada show de simplicidade! Também sou viciada em sonhar e entre os meus sonhos favoritos está uma vida mais gostosa, pouca fila, pouca pressa, mais intensidade nas coisas às quais cada um se dedica. Acho dramático, por exemplo, ficar na sala de aula por mera formalidade, pensando na onda perdida na tarde de sol. Por isso sonho em ter sempre chances de fazer coisas que gosto e, ao mesmo tempo, saber e poder encontrar gosto para as coisas que me chegam. Aprendi a desenvolver paixões por coisas aparentemente insossas, aquelas que não são motivos de aposta.
Não gosto da poeira, mas aposto no brilho secreto das coisas empoeiradas e faço dos meus olhos flanelas para desembaciar as vistas afeitas a estereótipos tolos. Enfim, gosto de brigar contra as minhas cegueiras e continuar por aí, certa de que continuo enxergando pouco, motivo para querer um pouco mais a cada taco novo.

6- Por que decidiu atuar na UNEB?
Eu havia retornado de Brasília, feito uma pesquisa em nível nacional e me imaginava entrando em outros desafios de pesquisa. Aí eu descobri o concurso da UNEB e uma vaga para Teoria da Comunicação. Era 1987, se não me engano. Fiz o exame e fui aprovada.

7- A UNEB por Tânia Cordeiro
O universo acadêmico, quando vivido intensamente, não pode ser sintetizado através de respostas formais. Por mais que eu diga da paixão, não há palavras capazes de iluminar um tal sentimento. Por exemplo, eu gosto da UNEB e isto pode dá a impressão de que estou satisfeita com ela. E aí, como diria Chico Buarque, a resposta carece de exatidão. Eu ganho pouco, trabalho um bocado; vejo a universidade crescer duplamente, pela ampliação de suas unidades e de seus cursos e, ao mesmo tempo, pelas suas carências, como segurança e autonomia universitária. Vejo a beleza do Campus I e ao mesmo tempo me espanta o fato de que, por motivos de (in)segurança, nós temos uma única saída e os outros portões estão fechados. Ao se perder coisas desse tipo nós nos damos conta que tínhamos uma qualidade que vai sendo cancelada por uma, dita, realidade maior.
A departamentalização, também, gerou uma forma de gestão, no caso do departamento de Ciências Humanas do Campus I, que torna indireta e, em termos práticos, inviável a participação, tão relevante à autonomia universitária. Deixamos para trás os debates apaixonados sobre o presente e o futuro de cada curso, de cada projeto. Assim, temos pouca relevância nas decisões, apesar da condição de eleitores dos nossos gestores. E a questão não deve ser percebida como de ordem pessoal, trata-se de um modelo ao qual estamos submetidos. Espero que o estado busque restabelecer condições mais favoráveis para as universidades públicas, em especial o valor da autonomia, tão reconhecido nas lutas históricas dos nossos jovens ao longo de tantas décadas.

Por Marília Pinto, Relações Públicas/ASCOM