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abr 02

O Núcleo de Formação de Agentes de Cultura da Juventude Negra – NUFAC chega a Salvador oferecendo 120 vagas para cursos nas áreas de comunicação e cultura. Os cursos são voltados para jovens negros/as entre 15 e 29 anos, oriundos de bairros populares de Salvador. As inscrições iniciam nesta segunda, 31, e vão até 04 de abril.

Para se inscrever, basta levar cópias da Carteira de Identidade, CPF, Comprovante de escolaridade e de residência. O projeto é uma Iniciativa do Ministério da Cultura, através da Fundação Palmares. Em Salvador o Projeto será executado pela ONG Cipó Comunicação Interativa.

Serão oferecidos cinco cursos: Produção Cultural, Produção de Vídeo, Finalização de Vídeo, Assistente de Projeto Visual Gráfico e Webdesign. As inscrições ocorrem no Centro Cultural Plataforma e na Agência de Comunicação do Subúrbio.

Investimento na Juventude Negra – Lançado em 2012, o Edital NUFAC é uma ação da Fundação Cultural Palmares, órgão vinculado ao Ministério da Cultura, para cumprir as diretrizes estabelecidas pelos Plano Plurianual do Governo Federal e Plano Nacional de Cultura – Meta 18 e contribuir para o Plano Juventude Viva de enfrentamento à violência contra a juventude negra.

A iniciativa possibilita a implantação de Núcleos de Formação, voltados para capacitação profissional de jovens negras e negros para o mercado da cultura. Já foram investidos cerca de R$8 milhões com recursos  oriundos do Fundo Nacional de Cultura (FNC).

Os  NUFAC’s são mais um incentivo à promoção, preservação e difusão do patrimônio e das expressões artístico-culturais afro-brasileiras. É a estratégia da FCP/MinC em busca de alternativas para prevenir as situações de exclusão e violência, ainda presentes nas realidades das mulheres e homens jovens negros do país.

Os núcleos em atividade atualmente estão situados em Volta Redonda/RJ, Olinda/PE, Bela Vista/SP, Anastácio/MS, Salvador/BA, João Pessoa/PB e Codó/MA.

Informações: (71) 3503-4477

abr 02

Toni Vasconcelos
Núcleo de Comunicação

Internacionalização, globalização, estandardização, cosmopolitismo. Esses conceitos ganharam vulto na UNEB nas últimas semanas, com possibilidade de a universidade assinar novo convênio de cooperação e intercâmbio com Portugal.

No centro dos debates, o docente português José Augusto Brito Pacheco, presidente do Instituto de Educação da Universidade do Minho, uma das maiores autoridades mundiais na área de currículo e sistemas educativos entre países.

A convite do Programa de Pós-Graduação em Educação de Jovens e Adultos (Mpeja) da UNEB, no final do mês de março, Pacheco debateu com docentes e discentes o complexo tema da internacionalização da educação, no III Seminário Internacional do Mpeja, iniciativa organizada em parceria com a Universidade Federal da Bahia (Ufba).

Para começar, o pesquisador lusitano deixou nítida a divergência radical entre internacionalização da educação e globalização, ainda que o primeiro conceito esteja inserido no segunda.

“A ideia de globalização está sempre associada a estandardizar, uniformizar as coisas, deixar tudo plano, sem os relevos próprios de cada nacionalidade, de cada identidade”, explicou.

Na globalização, ou mundialidade, segundo Pacheco, os países centrais impõem seus domínios sobre os países periféricos, em qualquer setor, inclusive o da educação superior.

Como exemplo dessa supremacia no campo da pesquisa e da pós-graduação, o docente citou a predominância do uso da língua inglesa nas seleções de mestrado e doutorado, assim como a exigência de serem traduzidos nesse idioma teses e artigos para que tenham acesso aos principais centros acadêmicos do planeta.

“Publicar um livro em língua portuguesa não tem a mesma dimensão de se publicar em inglês. Nas universidades da Europa, querem que a gente tenha o mesmo domínio da língua inglesa que o falante nativo desse idioma, para dar aulas e outras atividades acadêmicas. Eu sou contra isso, não aceito.”

Esse avanço da globalização na educação, disse Pacheco, evidencia-se também nas atuais redes internacionais de pesquisas, que exigem que o pesquisador de país periférico tenha registro de sua publicação em inglês.

O docente português esclarece que a internacionalização da educação é hoje um movimento de resistência à globalização em seus aspectos mais negativos, a exemplo da estandardização, da uniformização, da submissão às regras do mercado.

“Temos que aproveitar o que há de positivo na globalização, como é o caso da expansão das tecnologias de informação, para fortalecer esse movimento de resistência.”

Pacheco acrescenta que a internacionalização da educação pressupõe o diálogo entre os espaços nacionais e internacionais, respeitando suas diferenças e autonomia no compartilhamento de experiências. “A agenda transnacional não pode se sobrepor às agendas nacionais”.

Objetivos substituídos por desempenho e resultado

Para ele, há muito tempo que os objetivos na educação estão sendo substituídos pelos resultados, pela avaliação, pelo desempenho. Isso atende aos ditames do mercado, que consagra o triunfo do mais competitivo.Outro ponto esclarecedor do tema da globalização na educação levantado pelo professor José Augusto Pacheco foi acerca da crescente ingerência dos princípios de mercado nos sistemas educativos dos países centrais e periféricos.

Essa competitividade, destaca o professor, é centrada no sujeito, nos indivíduos, não nas instituições: “Dessa forma, as pessoas são responsabilizadas. Querem culpar os professores, os estudantes pelos maus resultados na educação, nunca o sistema, as políticas adotadas”, critica.

De acordo com o docente, as universidades europeias – como já está acontecendo no Brasil – são obrigadas a terem sistemas de garantia de qualidade que utilizam a avaliação de dados, estatísticas, verificadores de desempenho. Isso funciona lá, como no Brasil, por meio das chamadas plataformas estatísticas, as quais tomam um tempo enorme do docente para serem preenchidas.

Pacheco lembra ainda que cada vez mais se cobra o impacto social para que uma pesquisa receba o apoio das agências e organismos de fomento. “Querem aplicar o mesmo modelo das ciências exatas e da saúde, por exemplo, às ciências sociais e à educação, em que o impacto de uma pesquisa não se verifica de imediato, mas a médio ou longo prazo”.

Os fóruns de internacionalização da educação, ressalta o pesquisador, defendem, ao contrário, o conceito de cosmopolitismo no sentido da valorização da subjetividade, da conscientização, da cidadania.

Um currículo cosmopolita é aquele que reconhece o sujeito pessoal e social. Qual o conhecimento mais valioso que deve integrar um currículo? Para Pacheco, essa pergunta não pode ter uma resposta única, ela muda de cultura para cultura, de geração em geração. O sujeito curricular vai se construindo e reconstruindo sempre.

Na defesa de uma internacionalização que se oponha aos aspectos negativos da globalização, Pacheco é incisivo na conclusão de sua fala: “A escola fundamental, média ou universitária não pode ser dependente da misericórdia do mercado. O mercado tem cada vez menos misericórdia com as pessoas”.

Novo convênio com universidade de Portugal

A visita do professor José Augusto Pacheco deve ter desdobramentos práticos  de curto prazo para a comunidade acadêmica da UNEB.

O Mpeja está promovendo encontros com as Secretarias Especiais de Relações Internacionais (Serint) e de Articulação Institucional  (Seai) da UNEB, além do outros programas de pós-graduação da instituição, com o objetivo de formatar um convênio de cooperação e intercâmbio com a Universidade do Minho.

O acordo, que conta com a intermediação do docente lusitano, significará mais um laço efetivo entre a UNEB e uma instituição universitária de Portugal – já há parcerias com as universidades de Porto, Coimbra e Aveiro.

Segundo a professora Jardelina Bispo, que coordena a recém-criada Serint, a Reitoria da UNEB quer priorizar convênios e seleções com instituições portuguesas.

“Estamos hoje com alguns convênios internacionais expirados e outros pouco utilizados. Nossa gestão vai se dedicar a otimizar esses acordos, visando beneficiar um contingente maior de estudantes e docentes”, destacou Jardelina.

Coordenadora do Mpeja, a professora Tânia Dantas adiantou que esse acordo com a Universidade do Minho terá um caráter geral com aditivos para atender as particularidades acadêmicas da área de educação de jovens e adultos (EJA) e de outros programas de pós-graduação da UNEB.

Um dos responsáveis pela costura interinstitucional, o professor Ricardo Moreno, à frente da também recém-criada Seai, está confiante na expansão e fortalecimento dessas relações de cooperação e intercâmbio na UNEB.

“Em parceria com a Serint, estamos organizando alguns seminários com os grupos de pesquisa, professores, estudantes, instituições parceiras e demais interessados para uma ampla discussão dessa área. O compromisso da gestão é com a institucionalização de todos os contratos da UNEB”, pontuou Ricardo.

A coordenadora Tânia Dantas ressaltou ainda que já está agendado o I Colóquio Luso-Afro-Brasileiro sobre Currículo, a se realizar em Portugal possivelmente em setembro. “A UNEB deve ter uma importante participação nesse evento internacional, cuja organização conta com o professor José Pacheco”.