SEMANA NACIONAL DE CIÊNCIA & TECNOLOGIA PROGRAMA DE ESTÁGIO 2010 KIMBERLY CLARK
out 21

cuidedevoce1

Por Aline Suzart Moreira
Graduanda em Letras vernáculas pela Universidade do Estado da Bahia
liusuzart@gmail.com

Estive no MAM. Por mais tempo que passe sem visitá-lo, é impossível esquecer a sensação agradável que me toma ao colocar os pés lá, ao simplesmente descer a rampa. Fui sim. E dessa vez motivada – sou sempre impelida por motivações – pela exposição de Sophie Calle. Simplesmente fascinante! Seria difícil dizer qual me impressionou mais: essa ou a de Walter Smetak.

A exposição Cuide de Você é fruto da interpretação, por diversas mulheres, de uma carta de rompimento dirigida à Sophie. Ela lhes permite “analisá-la, comentá-la, dançá-la, cantá-la. Esgotá-la.” Para tanto, teve o cuidado de selecionar mulheres com profissões diferentes. Nesse sentido, a exposição proporciona olhares diversos, uma vez que cada percepção é fortemente influenciada pelo “lugar” de onde cada uma delas fala, o que não poderia ser diferente. Estão presentes: a possível sensação que Sophie sentiria, a inaceitação, vontade de entender, reconstruir.

Só que o mais interessante (mais até do que tamanha liberdade ante algo tão íntimo), é a percepção predominante (ou será que foi a que mais chamou minha atenção?). Muitas mulheres optaram por censurar o conteúdo, e o traduziram de forma a fazer entender que o autor, antes de redigir, mensurou o efeito de cada palavra, não transpondo nenhuma verdade, já que a honestidade e o zelo foram entendidos como uma dissimulação. Talvez tenha sido essa a principal razão pela qual tenha escolhido apenas mulheres: para traduzirem a sua revolta.

Bastante ousada Sophie Calle. Mais uma vez. Ainda assim não classifico sua atitude de exposição, exposição como sinônima de excentricidade; classifico como uma necessidade de mostrar-se. Muitas vezes a autocompreensão pressupõe “levar-se” ao conhecimento do outro. Por isso, num determinado momento, sentei para redigir essas palavras: com o intuito de lavá-las ao seu conhecimento.

Ao ler sobre a exposição, imaginei quão curioso seriam essas interpretações. Claro que a necessidade patética de entender e explicar tudo ofuscou algo maior: a simples admiração. Contudo a parte mais dolorosa e necessária veio: a reflexão – eu estava admirando, sozinha, a exposição. Acho tão chato não ter com quem confrontar percepções ao final… Mas assistindo aos vídeos, percebi que não era o “estar sozinha” que me incomodava e sim o “não ter comigo” quem eu gostaria. Eu o convidei…

… tenho um relacionamento, mas é um desses relacionamentos que vem escrito entre aspas… Embora eu me confesse piega e fale sobre essa qualidade orgulhosa, eu tenho vergonha e lastimo. A pieguice sempre termina em ultraje, humilhação, submissão… E em meio a essa profusão de pensamentos e crise existencial, ansiava pela entrada triunfante dele em um dos espaços… ah! Desisto! Não consigo me desnudar da mesma forma. Mas de uma coisa eu tenho certeza: assim como Sophie estou cuidando de mim. Só não sei se isso se anula quando permito que outrem descuide.

3 Responses to “EXPOR PARA COMPOR”

  1. Larissa d'Eça Says:

    Prabéns Aline, belo texto.

  2. Jordana Feitosa Says:

    Galera me perdoem por estar invadindo o espaço que está destinado a outros fins, mas estou precisando muito informações ou o e-mail de um professor desse campus chamado José Clemente. Estou fazendo uma pesquisa sobre Milton Santos, mas especificamente, sobre a passagem dele na prisão durante a Ditadura Militar e me disseram que esse professor pode me ajudar com algumas informações.
    Desde já, obrigada e parabéns pelo Blog.

    Jordana Feitosa!
    Graduanda de Comunicação/ Produção Cultural
    FACOM - UFBA.

  3. Jordana Feitosa Says:

    Observação: ele é professor do campus de Alagoinhas.

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