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ago 24

O professor Luciano Filgueiras, servidor lotado na Reitoria, homenageia o médico José Peroba, seu sogro, falecido no dia 12 de agosto, aos 103 anos. Dr. José Peroba era amigo da UNEB e conhecido por muitos.

Dr. Peroba, uma singela homenagem.
Seu sobrenome nos diz muito sobre ele:

Que homenagem escrita poderíamos fazer ao médico humanista José Peroba se não a fosse pela sua própria graça, seu sobrenome de batismo: Paciência, que deixou a todos como seus pacientes; Entrega, soube como ninguém colocá-la na prática diária nos seus relacionamentos com o mundo físico-humano, temporário; Retidão, um exemplo claro de que através dele semeamos frutos da compaixão e longevidade; Obediência, virtude inexorável daqueles que cumprem incansavelmente suas tarefas diárias, principalmente numa profissão como de médico; Bondade, ato de comunhão com a infinito através dos relacionamentos humanos; Amor, plenitude que nos consagra à harmonia em todos os estágios da criação divina, algo que todos trazemos, mas que esse irmão soube como ninguém revelá-lo em cada ato realizado. Não foi uma mera coincidência a sua eterna amada chama-se Angélica, sua flor.

Nascido no Ceará Mirim, como ele gostava de retratar o seu Estado natal, num sítio na cidade de Beberibe nos idos de 1907; local onde passou a infância entre os livros e os caldeirões do melaço de cana e do fabrico da cajuína. Homem predestinado, resolve mudar-se para Salvador com a determinação de ser médico. Formou-se na antiga Faculdade de Medicina da Bahia, localizada no Terreiro de Jesus, turma de 1934. Na década de 80, é homenageado com o título de cidadão soteropolitano, iniciativa justa e salutar do Vereador. Maltez Leone. Título que o honrava, tanto pelo reconhecimento do povo baiano pelos seus bons serviços prestados como médico e cidadão da boa terra, bem como, pela sua gratidão à Bahia, que lhe abriu às portas para regar sua semente do bem.

Nas suas peregrinações como médico, sabia como poucos se colocar como instrumento do Anjo Curador, trazendo até suas crianças a cura e aos papais e mamães, orientações e o consolo. Na sua época, como disse no seu discurso de despedida, sua amiga Aída, “no tempo de Peroba, não existiam raios x, radiografias computadorizadas, exames, etc e tal”…; mas como médico abnegado, mergulhava com seus olhos de águia e prontamente diagnosticava a doença e pronto, receitando o remédio exato. Sua residência, na Rua Boulevard Suíço-Jardim Bahiano, era uma extensão do seu consultório da Rua Chile. No Posto de Saúde no Bairro da Liberdade, atendeu com extremo zelo, competência e gentileza mais de trinta mil crianças em vinte anos de trabalho dedicado em condições adversas. Como plenitude maior da sua dedicação à profissão de médico pediatra, fundou com Dr. Álvaro Bahia, o Hospital da Criança, Martagão Gesteira, localizado no Bairro do Tororó; Hospital modelo no atendimento de crianças carentes de toda a Bahia.

Em minhas andanças de convivência familiar, ou como filósofo-observador da natureza humana nas suas atitudes, jamais testemunhei na pessoa de Dr. Peroba, zanga, aborrecimentos, desavenças, seja em que nível fosse, mentiras; uma voz mais alterada, desrespeito às posições ideológicas contrarias à sua, ou até mesmo pelo simples fato de queixar-se de uma dorzinha ou de que a comida poderia estar com um pouco mais de sal. Essas coisinhas ditas comuns ou banais não faziam parte de sua vida. Após as refeições diárias, sempre com um belo sorriso nos lábios, e assim que pegava das mãos de sua cunhada Carmen o palito, partia-o ao meio formando a letra V, e com o ar que contagiava a todos, verbalizava: “minha gente, olhem o V da Vitória!”…

Quando acompanhava às noticias televisivas, ou lendo o seu jornal preferido, A Tarde, mesmo nos noticiários mais assombrosos, ele costumava apaziguar todas aquelas coisas dizendo, que tudo aquilo já tinha acontecido antes, e que não foi tão ruim assim. Guerras pra ele, só a primeira e a segunda guerra mundial; o restante, ele dizia sempre nas suas fantasias positivistas, que as crianças já tinham acabado com as mesmas. Doenças e remédios já não existiam mais. Tudo era fantástico e colorido em seu mundo!

Ficará na memória de todos que o conheceram, a sua benevolência, carinho e presteza. Uma vida exemplar, que se foi aos cento e três anos de graças e bênçãos. Como bem nos dizem sua filha caçula Ângela e sua bisneta Amanda: “foi-se como um passarinho, leve, suave e livre; batendo asas para um belo vôo rumo ao céu infinito de estrelas”. Valeu Dr. Peroba, sua existência foi um exemplo de dignidade para todos que o conheceram.

 “Gloria a DEUS nas Alturas, e Paz na Terra a todos que aqui se encontram…” (Dr. José Peroba).

Luciano Filgueiras
Professor
andarilholuz@bol.com.br

One Response to “HOMENAGEM”

  1. itala Says:

    PARABÉNS, PROFº LUCIANO FILGUEIRAS

    PUXA!!! EMOCIONANTE ESSA GRANDE HOMENAGEM. NA DESCRIÇÃO DA PESSOA DO DRº JOSÉ PEROBA, VI NAS MINHAS MEMÓRIAS. POIS É, FOI MEU PEDIATRA E DE MEUS IRMÃOS, NO HOSP. NAVAL, NO BAIRRO DE NAZARÉ, ONDE NASCI. O MEU PAI (INMEMORIAM) ERA MUITO AMIGO DELE E TEVE COMO SEU PACIENTE UM DOS MEUS FILHOS NO HOSP. MARTAGÃO GESTEIRA. O QUE PROCURAVA UM MÉDICO QUE DISSESSE O QUE MEU FILHO TINHA, DEI DE CARA COM ELE (DR.PEROBA),DO QUAL ME RECEBEU COM UM GRANDE ABRAÇO, USANDO DOIS ÓCULOS
    NO ROSTO E O DIAGNÓSTICO FOI HÉRNIA INGUINAL E QUE UMA CIRURGIA SIMPLES E RÁPIDA ,ELE ESTARIA BOM.OBRIGADA POR EXISTIR. ATÉ HOJE, ELE É TRATADO AQUI EM CASA COMO O MÉDICO QUE NÃO EXISTE MAIS, É O MESTRE DOS MESTRES. SEI TAMBÉM QUE O “MEU MÉDICO” É NOME DE RUA, QUANDO PASSO EU SEMPRE DIGO ERA O MEU MÉDICO. SAUDADES!!! UM GRANDE ABRAÇO A TODA FAMÍLIA E AMIGOS QUE O ADMIRAM. ÍTALA GRAMACHO.

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